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Contra covid-19 indígenas da Amazônia brasileira usam ervas medicinais

Indígenas no Brasil lutam sozinhos contra a pandemia do novo coronavírus.

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O Amazonas está na quarta posição dos estados mais afetados no Brasil pela pandemia, com mais de 20.363 casos confirmados e mais de 1.433 mortes por covid-19.

O sistema de saúde do estado do Amazonas encontra-se lotado e com muitas dificuldades burocráticas, os indígenas da aldeia Waikiru recorrem a seus conhecimentos ancestrais sobre a natureza para se permanecer saudáveis e tratar os sintomas do novo coronavírus.

“A gente tem tratado todos os sintomas que temos sentido com os próprios remédios caseiros, que nossos antepassados vieram passando”, disse André Sateré Mawé, ao site AFP, André é líder da aldeia que fica na zona rural da capital, Manuas.

“Cada um com um pouco de conhecimento foi juntando os remédios. E fomos experimentando, usando cada remédio para combater um sintoma da doença”, explica.

O líder comenta que as receitas medicinais são a base de infusões com casca de carapanaúba (árvore com propriedades antiinflamatórias), de saracuramirá (utilizada popularmente no tratamento da malária) e um chá com ingredientes menos exóticos como jambu, alho, limão, casca de manga, hortelã, gengibre e mel.

Um grupo de indígenas sateré mawé navega pela Amazônia brasileira em uma lancha em busca de ervas medicinais para combater os sintomas do novo coronavírus.

Imagem: Reprodução/AFP/Indígenas Sateré Mawé em busca de ervas medicinais

A artesã Valda Ferreira de Souza, de 35 anos, contraiu o novo coronavírus, porém nenhum dos sateré mawé que moram nesta aldeia tenha sido examinado para confirmar o diagnóstico positivo para doença.

“O xarope caseiro ajudou muito a aliviar porque eu fiquei com um pouco de cansaço também. Parece que ia prendendo meu pulmão. Senti falta de ar e tomei o xarope”, informa a artesã.

Uma outra artesã da aldeia, Rosivane Pereira da Silva, de 40 anos, ajuda o líder André a preparar as beberagens (remédios), após ferver os ingredientes, eles distribuem em pequenas garrafas ou em recipientes maiores, dependendo da infusão.

Segundo a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), do Ministério da Saúde, cerca de 23 indígenas morreram e 371 contraíram a Covid-19, infelizmente este registro não inclui os indígenas que vivem nas cidades.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que criou um comitê próprio para acompanhar a situação e inclui os indígenas “urbanos” em sua contagem, constatou até o momento 102 óbitos e 537 contágios em todo o Brasil.

Por terem deixado suas terras originárias, ficam fora da cobertura da Sesai e, ao mesmo tempo, enfrentam dificuldades burocráticas para ser atendidos no SUS que atende a população em geral.

“Parece que eles escolhem quem e atender e deixam a gente sem atenção”, lamenta André Sateré Mawé.

“A gente tem aprendido a se virar. A gente tem aprendido a lutar sozinhos”.